quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Já que se falou em McLuhan...

Por essa, nem Papai Noel nem McLuhan esperavam


Deu no Observatório da Imprensa, texto do blogueiro

Sim, eles estão no meio de nós. Trarão o que você quiser, mas não são Papai Noel. Mas quem são, então? São o novo meio: o candidato-mídia, uma mistura de indivíduo amável com veículo de comunicação, isto é, um chafariz humano de argumentos em causa de interesses próprios.
Não é só através dos meios tradicionais de comunicação – tema primeiro deste Observatório –, mas também pela mídia do quotidiano, pelo face a face, as eleições e o novo modelo de candidato mostram como o afeto natalino que se instala pode estar junto com política e propaganda. Nesta época pré-urna, certa parte da população que aborda outra parte pelas ruas levou o autor deste texto a pensar (e escrever) sobre a existência dela no meio de nós e de seu incrível afeto e a filosofar sobre como pessoas podem se tornar meios ou mensagens.

Essa parcela do povo é como nós, contudo, carrega números, slogans e jingles. Com postura sempre sorridente e prestativa, os candidatos que abordam o cidadão comum são a concretização da idéia apocalíptica de alguns pensadores das ciências humanas. Estamos na mira dos candidatos e de suas mensagens.

A sociedade parece ter perdido o direito básico à negação. Ela pode se negar a saber quais são as notícias, ou zapear durante os intervalos comerciais da TV. Mas com a mídia eleitoral a história é diferente. Desligar a televisão durante o horário eleitoral não é suficiente. Eles, os candidatos-mídia, aparecem nos sites de relacionamento, nas caixas de e-mail, nos rádios, nos carros, outdoors e muito mais. Hoje, os próprios candidatos (ou seus cabos) são multimídias.

"Aquela gente"
Essa gente invade nossos espaços íntimos com suas informações, promessas, propostas e tudo o mais sem pedir permissão, em qualquer lugar ou horário. São "uma gente" que abraça, beija, aperta as mãos, que ama a todos – em especial os que possuem título! Dizem conhecer todo mundo e sempre estão bem. Sempre perguntam se está tudo bem, afinal, para eles tudo deve estar sempre bem.

Cabe a você, (e)leitor, responder "sim doutor, está tudo bem". Ora, ninguém perguntou "como vai você?" "Essa gente" não se interessa em saber seu estado. Deve-se estar bem o suficiente para apenas decorar o número e ir às urnas no dia certo. Esta é a principal estratégia comunicacional do novo veículo.

O interessante é que o apelo emocional, eleição após eleição, não deixa a propaganda eleitoral. A "invasão" física dos abraços é prova disso. Mas e depois? Se eleita, "essa gente" irá andar em carros de placas pretas, vidros escurecidos e não irá querer saber quem está bem, quem não está, pois afinal, "aquela gente" estará bem.

Terão tornado-se distantes e por isso, serão "aquela gente". Sem contato físico, sem mídia, sem o afeto natalino/eleitoral, fazendo a sociedade agradecer que o Natal acontece uma vez por ano e as eleições de quatro em quatro anos. Pelo menos Papai Noel deixa um presentinho debaixo da árvore

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