quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Resposta!

Blogosfera e Videoblogs (Videoblogs - não são apenas cabides de vídeos na internet, mas sim um terrítorio complexo para produção e veiculação de informação, pois opera num universo de hibridização e mutabilidade)

O trabalho do Igor vem trazer um novo elemento para a discussão. Ele observa os videoblogs também como um espaço de construção de narrativas através dos processos de interação e colaboratividade. Trata-se, no entanto, de uma outra qualidade de narrativa. Primeiro por sua condição híbrida – mescla de textos e imagens. Segundo pelo total descompromisso com as noções de gênero e de estilo que dizem respeito às obras literárias. (Acho que este "descompromisso" é uma das formas de agenciamento provocado pelo sócio-técnico). As narrativas que emergem dos videoblogs ocupam o domínio da vida íntima e cotidiana e se definem muito mais pelas formas de exposição do “eu” do que pela temática ou pela estrutura narrativa. Nesses territórios limites, onde o íntimo se publica, a produção colaborativa aparece como uma congruência de trajetórias, um entrelaçamento de percursos subjetivos que constitui significado pelas frequentações, solidariedades e conflitos que emergem no instante da interação e não por uma seqüência temporal. (além da colaboratividade, penso na palavra coletividade - Se antes afundavamos no nosso diário de papel, hoje ampliamos para o "outro" este universo íntimo/privado/individual - precisamos das vivências/experiências do outro para que este universo ganhe vida). A esse respeito me lembro de Michel de Certeau e as “artes de fazer” quando observa que nas operações que os indivíduos realizam sobre a linguagem eles se apropriam da língua e abrem um espaço que é relacional. Nesse espaço relacional há sempre a introdução de um interlocutor e um ato pelo qual o “eu” se coloca. Essa entrada do sujeito instaura um presente. Isso porque, pra Certeau, o presente é “a fonte do tempo”: ele organiza “uma temporalidade (o presente cria um antes e um depois) e a existência de um ‘agora’ que é presença no mundo”. (diálogo com a idéia de "Pluripresença Mediada", de J. L. Weissberg). Desse modo podemos nos perguntar se as experiências apresentadas pelos videoblogs apresentam uma forma da colaboratividade que se define pela entrada do sujeito em uma rede relacional. (Rede? relacional? O que seria a junção entre a rede (técnico-lógico) e o relacional (social)? Talvez uma espuma, como o Bob Sponja, que se contrae e ditala a todo momento provocando tensões indutoras de um futuro transbordamento, surge ai a potencialidade deste meio). As realizações que se fundam nesse ambiente emergem de um entrelaçamento de encontros puramente circunstanciais? (para toda circunstância, uma condição. Qual é a condição proposta para estes sujeitos interagirem num universo como os vlogs?) Ou seja, dos contágios que dispensam qualquer finalidade (pois são indissociáveis do instante presente)? Para além da produção de significado: o que fixa os laços de modo que as pessoas continuem freqüentando o ambiente e se envolvendo em interações que criam narrativas imprevisíveis, quando não ilegíveis? (A exposição do íntimo leva a objetivivação das subjetividades, com isso o interator deixa de se sentir indivíduo, aquele que faz parte da massa e não se diferencia, para se sentir singular, aquele que possui suas particularidades freguentando nichos. De nichos em nichos surge "nós" fortes que reforçam a idéia do relacional).
Será que viajei? Vamos trocando idéias;
abçs!

Um comentário:

Oswaldo Norbim disse...

Igor,
sua fala na Oi foi ótima.
Me manda o link do evento que você vai montar na puc
onorbim@yahoo.com.br
Abraço