terça-feira, 22 de maio de 2007

vou postar aqui pra depois ler com calma

Fonte: http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/maluteodoro/quickdoc.2007-05-22.8618511893/structured_view?portal_status_message=Changes%20saved

Raízes do Vjing
por maluteodoro — Última modificação 21/05/2007 22:43
As Raízes do Vjing

Um resumo histórico

Bram Crevits

O termo VJ surgiu no final da década de 1970 no clube Peppermint Lounge, em Nova York. Trata-se, então, de um fenômeno muito recente (menos de trinta anos) e que é resultado de evoluções importantes no campo social, artístico, cultural e tecnológico. Portanto, pensar o VJing inclui olhar para várias referências e seria incompreendido se olhado somente para sua história recente e cena moderna.

Discussões em sites e o surgimento de eventos relacionados ao universo VJ ajudam a pensá-lo como mídia. O Vjing evoluiu a partir das performances, das artes visuais, das instalações interativas audiovisuais, entre outros. Entretanto, a maior influência do VJing vem do campo da vídeo-arte, embora não tenha surgido diretamente dela.

O manipulador de imagens em tempo real surgiu com o aparecimento da música eletrônica no final da década de 1970 e estourou em 1980 com a House music. Este foi um fenômeno esporádico, quando muitos artistas começaram a fazer VJing ao mesmo tempo ao redor do mundo no contexto da musica house.

A necessidade de uma pessoa que projetasse vídeos nasceu da falta de uma atuação no palco. Por conseguinte, houve uma demanda por uma nova experiência visual que substituisse a performance. Neste contexto, o VJ surgiu de uma necessidade e não a partir de um desenvolvimento consciente da arte.

As tradições de festas eletrônicas compreendem um líder e seus seguidores. O uso de muitas telas localizadas de modo disperso no espaço substitui o poder do líder para colocar ênfase no espetáculo total.

[Seguindo esta proposta, então, o VJing não teria surgido dentro da galeria, como poderia ser entendido a partir do texto “As Linhas de Força do Vídeo Brasileiro”, de Arlindo Machado. Ou pode ter sido um evento que teve início em vários lugares ao mesmo tempo, sem uma única matriz.]

Já o uso das múltiplas telas em espetáculos surgiu na década de 1960 com Malcolm LeGrice e Peter Gidal em uma situação de vanguarda do cinema experimental, como chamado por eles. Começando a partir do idealismo pós-marxista eles apresentavam performances com projetores de filmes para múltiplas telas, e às vezes, telas em movimento. O uso das múltiplas telas era um símbolo das forças expansivas das mídias e sua força para quebrar e subverter seu próprio formato.

Outra característica típica das festas house que se relaciona ao universo VJ é seu aspecto multi-sensorial. A experiência dessas festas era composta em partes separadas: o DJ tocava o som, o VJ fazia os loops de vídeo e uma outra pessoa acionava a luz strobo, normalmente sem uma forma de organização prévia, ou ensaio. A desconstrução do todo já é notada por esta característica, como também percebida na mixagem de diferentes tipos de imagem, aparentemente sem conexões e expressando descontinuidade, construída pelo Vídeo-Jockey.

Uma outra grande influência do início do Vjing, às vezes esquecida, é que a cena do house era cheia de drogas. O MDMA, princípio ativo do Ecstasy, como do LSD, causa efeito de sinestesia, ou seja, mistura e confusão de sentidos. O Vjing nas festas house reproduziam esta experiência. O Ecstasy criava uma simbiose de sensações, mas não evocava alucinações visuais concretas como o LSD. Alguns dizem que se a droga da cena house tivesse sido o LSD, não haveria necessidade de compensar a falta de performance, ou seja, não haveria o VJ.

Se no campo visual das artes hoje existe uma referência à sinestesia, o que significa um ambiente multisensorial, não apenas sentidos como a visão e audição estão envolvidos, mas também o olfato e o tato do público.

É marcante que os precursores das artes multimídias junto às artes visuais foram também os pioneiros da vídeo-arte. O grupo Fluxus, que envolvia artistas como John Cage, Yoko Ono e Joseph Beuys, é conhecido pela consciente mistura de artes, e possuíam uma política não elitista e de aversão à alta-cultura. Os primeiros experimentos com vídeo e o inventor do PaikAbe vídeo synthesizer foi Nan June Paik, conhecido também como o pai da vídeo arte, o que fortifica a relação entre os vídeos do Fluxus e o Vjing.

O uso de imagens de vídeo na cena house é inspirada por alguns antecessores nas artes populares ou na contra-cultura. Andy Wahrol, como o grupo Fluxus, é um ícone da arte moderna, cuja uma das características é misturar alta e baixa cultura usando táticas multimidiáticas. Em 1966, em seu show Exploding Plastic Inevitable, Wahrol e Paul Morrissey misturaram música, teatro, filme e performance em um grande espetáculo; o show contava com a participação de Velvet Underground, onde Wahrol projetava simultaneamente dois ou mais de seus filmes ou slides. Este projeto foi uma evocação contemporânea da idéia de Richard Wagner nos Gesantkunstwerk (trabalho completo de arte) .

Outro exemplo contemporâneo de obras multimidiáticas sensoriais é o concerto The Wall, do Pink Floyd, para o qual criou-se um espetáculo usando elementos teatrais no contexto de um show de rock. Houve integrações de elementos audiovisuais usando telas e projeções de filmes e animações em parte do cenário, que era o próprio muro de Berlin.

Alguns outros grupos musicais, especialmente ingleses, usavam projeções para atribuir um peso ideológico a seus shows, entre eles Cabaret Valtaire, Throbbing Gristle e 23Skidoo. Essas imagens tinham função de chocar o público e imagens de pornografia e campos de concentração nazista eram bastante usadas. Esses elementos criavam um efeito de grande estranhamento sinestésico ao alternar imagem e música. Com suas propostas de atacar a moral do público, eles claramente se relacionavam com o movimento dadaísta do início do século XX. O dadaísmo teve também grande importância na formação conceitual do grupo Fluxus e do Viennese Actionistes e suas performances raciais.

Outra importante influência do Vjing foi o desenvolvimento tecnológico no campo do cinema. Os primeiros experimentos pré-cinematográficos de antes do século XIX certamente comporam as raízes do Vjing, juntamente com os primeiros filmes mudos e, mais tarde, o surgimento da vídeo-música com a chegada da MTV em 1981.

As Lanternas Mágicas, descrito pela primeira vez em 1671, pode ser visto como um antecessor do projetor de slides. Usando uma lâmpada a óleo, uma lente, e pinturas feitas em pratos transparentes, pequenas animações podiam ser projetadas numa tela ou superfície lisa. Diferentes partes da imagem poderiam ser pintadas em pratos diferentes, os quais eram movidos separadamente, criando certa ilusão de movimento.



Na era do cinematógrafo, a narrativa era construída usando apenas elementos visuais, como atuação exagerada de atores ou títulos gráficos. Uma variedade de ângulos de câmera também poderia ser usada, como plano fechado/close para enfatizar ainda mais as expressões; pela “proximidade” que criava entre ator/telespectador rompia com características do teatro, seu antecessor. Entretanto, contar histórias sem som resultou em uma diversidade consciente de tipos narrativos possíveis durante a montagem de um filme. Exemplos importantes são vistos em filmes de Sergei Eisenstein, Fritz Lang e Luis Buñuel. O VJ se relaciona com cada um desses diretores pela característica de enorme poder de expressão visual.

O termo “filme mudo” causa certa confusão uma vez que estes filmes eram raramente mudos de fato. Normalmente eles eram acompanhados nas salas de cinema por um piano ou órgão. E uma característica interessante disso é que a música era, na maioria das vezes, improvisada, o que estabelece um link com o Vjing contemporâneo. A característica de improvisação foi perdendo força quando teatros maiores começaram a usar orquestras inteiras para preencher o filme com sons.

Teóricos frequentemente fazem um link entre o filme mudo e os vídeo-clips. Para os VJs, as vídeo-músicas são importantes na questão do uso de efeitos visuais, mas especialmente por realçar a música. O vídeo musical originou-se por uma questão pragmática e dialogou com os seus efeitos de forma inconsciente. Os grupos musicais, ao criarem seus vídeos, poderiam sair em turnê e ao mesmo tempo aparecerem em programas de televisão. Neste sentido, o vídeo-clip foi visto principalmente como um meio de promover um artista, e não como uma obra de arte. Algumas exceções são notadas, como os artistas Chris Cunningham e Anton Corbijn.

A expressão visual de músicas não pertence exclusivamente à era da mídia eletrônica. Durante o século XX houve alguns filmmakers experimentais focados na elaboração de expressão virtual para músicas. Particularmente interessantes aos VJs são os filmmakers que trabalham com imagens abstratas, como Oskar Fischinger e Walther Ruttman, no início do século XX. Estes criaram filmes abstratos que poderiam ser rotulados como música visual.

Norman McLaren!

Nos anos 50, o aparecimento e desenvolvimento de músicas eletronicamente criadas foram muito importantes para o surgimento, mais tarde, do Vjing. Os principais artistas dessa área foram Pierre Schaeffer e Karlheinz Stockhausen. Esse novo som instigou a imaginação de filmmakers e animadores, como exemplo os Vortex Concert, organizados pelo compositor Herry Jacobs em São Francisco. Ele colaborou para este concerto de música nova com o filmmaker Jordan Belson. O Vjing de vanguarda de Belson combinava peças de animação e filmes, porém, sem usar elementos cinematográficos para criar imagens ou efeitos de luz. Hy Hirsch, Len Lye e John e James Whitney foram outros pioneiros da música visual abstrata.

No entanto, foi só nos anos 1960 que as imagens em movimento se expressaram dentro do contexto de mídia eletrônica: a conexão tecnológica entre imagem e som foi estabelecida.

Depois da chegada do portátil Sony PortaPack no final dos anos 60, artistas visuais começaram a pensar no novo tipo de mídia que estava sendo criada. Precursores desta época foram Paik, Steina e Woody Vasulka. Ao construírem e experimentarem o novo equipamento, eles constantemente procuravam os princípios elementares da formação do vídeo, gerando imagens abstratas e de forte relação com a música.

A chegada da mídia eletrônica e especialmente da mídia digital nos faz repensar a influência do movimento dadaísta e seu uso pioneiro da técnica de cortes. Tristan Tzara criou um poema ao colocar palavras em seqüência randômica, apenas tiradas de um depósito, uma depois da outra. Não apenas se tratava de uma forma de improvisação, mas também um antecedente do que depois seria conhecido como sampling. Isso teve uma enorme influência nas artes e cultura do século XX. Primeiramente notada na literatura e logo depois desenvolvido no campo das imagens e sons eletrônicos.

O fato de que entramos na era digital acarretou algumas mudanças inesperadas no campo artístico. O aparecimento do protocolo MIDI permitiu o link de imagens às músicas de forma fácil. A popularização do computador se tornou elementar na indústria cinematográfica, em que partes inteiras da produção são feitas exclusivamente com a ajuda dele. E se tornou elementar também no ambiente, transformando o modo como o mundo é hoje apresentado para nós. Essa nova forma de apresentação é feita por computação gráfica e não apenas como interface digital, mas a cultura foi penetrada por design e conceitos digitais. Outra característica desta era é a nova forma de democratização: ferramentas hackers e softwares livres levam a produção artística a qualquer pessoa interessada.

O VJ hoje deve ser beneficiado pela consciência cultural de seus antecessores, e não apenas surgir, como quando aconteceu.






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FAULKNER, Michael. Audiovisual art + VJ culture. London: Laurence Kind Publishing Ltd. 2006.














links:


http://www.youtube.com/view_play_list?p=B87455711381A016

playlist roots of vjing.

http://www.vjtheory.net/book.htm

http://www.vjtheory.net/web_texts/text_bernard.htm

http://www.altitude1000.be/

http://www.laurenceking.co.uk/books/bookdetails.php?bom=Y

http://www.dfuse.com/

http://cimatics.com/cimatics/index.php

3 comentários:

malu disse...

vai ficar online lá, coisa!

boa sorte boa sorte.. gas gas gas!!!

Anônimo disse...

GÁS PANIC!

malu disse...

gas panic?
saudades saudades